A LUTA PELO PROGRESSO DA ALMA - E. Nicoll
Nada nos torna tão grandes como uma grande dor, disse um poeta. Para os que procuram o princípio da moral nas leis da vida e da ação espiritual, a dor sem dúvida, pela luta que ocasiona, pela resistência, pela resignação intelectual e pela coragem, põe em jogo a força interior, revela-se a si mesmo e num certo sentido exalta-a.
A vida não é um repouso no prazer, não é a inércia do gozo passivo; a vida é a conquista do bem sob o estímulo da dor, sob o aguilhão da imperfeição sentida. A ânsia de aperfeiçoamento, a vontade de crescer espiritualmente é um sentimento comum no homem.
Mas para progredir o homem luta, emprega sua energia, e por isso todos nós somos a cada instante uma fonte constante de efeitos, porque pensamos, sentimos e agimos, isto é, a cada instante desenvolvemos forças no plano físico por nossas atividades, emitimos desejos e sentimentos no plano astral e pensamentos no plano mental.
Vivemos simultaneamente em três planos ou mundos, que envolvem o nosso planeta minúsculo. Há pois uma tríplice consequência nas ações humanas. Tudo que fazemos foi antes um desejo que gerou um pensamento e que, por sua vez, desenvolveu uma ação física. Somos uma fonte constante de causas e efeitos.
Há dois poderes que lutam dentro de nós: a animalidade com todo seu passado de desejos gerados em vidas anteriores, e a espiritualidade que, apenas nascente no homem, desperta os pensamentos de amor, renúncia e resignação.
Enquanto a vontade humana não tiver ação coercitiva bastante sobre os impulsos desordenados do corpo astral que é o corpo de desejos, o homem mais se assemelha ao animal, acostumado a seguir seus próprios instintos.
Quanto Atma vai esclarecendo Manas, quando a vontade domina pouco a pouco as vibrações inferiores pela indiferença e pela renúncia, o homem-animal transforma-se no homem-espiritual.
Quando o homem consegue subjugar o desejo e a ambição, quando domina os sentidos, sem preocupação de domínio, quando achou no fundo do copo dos prazeres apenas cinza e fel, volta-se para a filosofia e nela procura a razão de ser da vida.
Surge então na mente humana o desejo de libertação. E o homem procura dentro de si o que não encontra fora. Não é fora de nós que encontramos a Verdade. Fora de nós só há ilusão e movimento, que é uma das formas de ilusão.
A lei do karma diz que a ação e a reação se equilibram e se opõem, ou melhor, a toda ação resulta uma reação igual e contrária. O karma é a lei que nos coloca onde devemos estar para progredir, deixando-nos nosso livre arbítrio, nossa liberdade de escolha.
O karma jamais obrigou ninguém a praticar qualquer ação, apresenta-nos simplesmente as circunstâncias e o homem dispõe à sua vontade destas circunstâncias.
Suponhamos que me encaminho a fim de insultar a alguém. Ao aproximar-me da pessoa, vencendo minha cólera, calo-me. Isto é, não pus em efeito a energia astral. Mas se não consigo dominar-me e chego a injuriar a pessoa, ponho em ação as forças astrais e crio karma contra mim.
Somos senhores da palavra que guardamos, mas somos escravos da palavra que deixamos escapar.
É devido a este encadeamento inevitável de causas e efeitos que os ignorantes permanecem impotentes em presença das leis naturais. Produzem inconscientemente certos fatores cujas consquências se acumulam confusamente em torno deles, e os esmagam.
Os mundos físico, astral e mental, que entram em nossa constituição invisível, são caracterizados por modificações constantes, não havendo no Universo visível e invisível coisa alguma fixa e imutável, tudo se apresentando num dinamismo contínuo cujas transformações se ligam entre si umas às outras por uma relação íntima de causa e efeito, que é a lei.
O homem modifica essas energias ao seu sabor criando seu próprio karma. Devemos pois compreender que o karma nada mais é que ação e reação agindo ativamente em todos os planos da natureza, e que a reação é da mesma natureza que a ação.
Compreender o karma é compreender que o futuro está em nossas mãos. Se não temos energia para vencer as resistências que o passado nos impõe, devemos ter arbítrio para modificar nossa conduta atual. E assim podemos fazer alegre o caminho da existência, rodeados de amigos que nos ajudam, longe das misérias e sofrimento que assaltam a pobre humanidade.
DA VIDA PASSADA DA VIDA PRESENTE
Atos serviçais criam Bom ambiente
Atos maléficos " Mau ambiente
Aspirações e desejos " Capacidade
Pensamentos constantes " Caráter
Sucessos " Entusiasmo
Experiências dolorosas " Consciência
Experiências repetidas " Conhecimento
Desejo de servir " Espiritualidade
Estudemos o caso de uma pessoa que comete uma falta, com boa intenção. Esta ação manifesta-se em três planos: físico, astral e mental. Portanto vão se manifestar três reações correspondentes.
A reação mental agirá sobre seu corpo mental, sobre seu caráter, que progride graças a boa impulsão recebida. A reação astral despertará uma boa emoção e sentimentos que lhe fornecerão ocasião de exercer mais tarde o desejo de fazer o bem. A reação física será dolorosa, e despertará um sofrimento que o corrigirá da inadvertência cometida.
É assim que o karma age, cada reação seguindo invariavelmente sua respectiva ação em cada plano correspondente.
Não há pois nem castigo, nem recompensa, vindos de qualquer poder exterior; há apenas o resultado lógico daquilo que o homem fez, disse e pensou na vida terrena.

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