A FINALIDADE DA VIDA - Geoffrey Hodson

 A alma inicia sua evolução no reino mineral da natureza; no reino vegetal está realmente despontando. A  luz solar com sua tepidez, e as quatro estações, com os impactos de suas mudanças indo do calor ao frio gelado, agitam a vida em expansão para fora de sua primitiva prisão mineral.

Além disso, os processos de reprodução no reino vegetal começam a perturbar a vida inerente em seu estado até então adormecido, principalmente onde existem flores. Os mais frágeis princípios de alguma coisa igual ao prazer, no sentido animal, lançam ondulações sobre a superfície, até o momento plana, do mar sereno da vida.

Começam a se verificar os primeiros frágeis e distantes princípios daquilo que um dia se converterá em prazer proveniente do que é sadio. A vida, a divina dorminhoca, começa a sonhar e naquele sonho existe a promessa da percepção consciente. Isto significa o conhecimento daquilo que é exterior, do qual posteriormente se desenvolverá aquela maravilha supreendente - a escolha.


Enquanto as plantas não revelam esta faculdade na maneira deliberada que é peculiar nos animais e homens, algumas delas viram-se e mexem-se a fim de obter os graus máximos de influência provenientes do sol. 

A importância desta mudança, a partir da não-escolha no mineral ao despontar da escolha na planta, é quase impossível de ser superestimada; isto porque dela eventualmente surgirá o movimento no homem, o qual será com certeza descrito como "Protegido de Deus". 

Pode-se dizer que a religião, no sentido mais amplo da palavra, teve seus primeiros e frágeis inícios na busca do sol pela planta; ela floresce na busca de Deus no homem. A criatura humana, como um ser consciente, tendo passado através do reino animal intermediário, começa em sua plena percepção a fazer o que a planta faz inconscientemente - a procurar o Sol.

De início sua religião é primitiva, mas surge afinal da prática da ioga, que pode ser considerada como sendo o ponto mais elevado até agora alcançado pela vida, à medida que ela se desenvolve através do reino humano.

O Eu espiritual do homem é igual a uma semente; ela é plantada na terra, lança para fora suas hastes e folhas e por fim vem a florescer. Assim como a planta uma vez amadurecida é inerente nas sementes, assim também ocorre na Mônada do homem - o embrião imortal dentro da alma - todas as potencialidades encontram-se presentes desde o começo.

A experiência as faz desabrochar. Cada experiência é valiosa; nada se perde, mesmo se isto pode parecer, a semente silenciosamente está se desenvolvendo. É, como foi, fortalecida pelos ventos da adversidade; purificada e beneficiada pela chuva das tribulações e do pranto; embelezada e expandida pela luz solar da felicidade e do amor.

Finalmente o homem encontra o pleno estado da floração. Deste modo, a vida é educativa no seu sentido mais real.

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